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Como Transformar pó em Ouro [forte: caso verídico]

Por Cassia Fernandes

Esses dias uma amiga contou sobre um projeto de trabalho que está realizando de desenvolvimento pessoal para ajudar as pessoas a mudar suas vidas para melhor baseado nas experiências e estudos que ela tem. Então ela não conseguia encontrar paz, concentração e criatividade porque era constantemente atormentada pela sua “família”.

Eu disse:  – Nossa! Que severo isso! Você está dizendo que sua família atormenta você?

Ela respondeu explicando: – Sim, sabe por que? Sente para não cair… Lá vai!

– Eles sempre tiveram uma distorção completamente errada e falida dos valores famíliares que para eles simplesmente significava dar comida, colocar na escola e vigiar os passos dos filhos para que só fizessem aquilo que eles achavam certo. Mas qual era esse conceito de certo você deve estar perguntando?

– Frequentar a escola que eles escolhiam, ter os poucos amigos que eles aprovavam, seguir os gostos e vontades que eles desejavam. Só um diferencial, como éramos 4 filhos 2 meninos, eu e minha irmã adotiva, porém eu estava em constante vigia e pressão, pois beirando a adolescência eu poderia “querer fazer coisas erradas” conforme distorções do errado e do certo.

Tudo bem que o pai era uma pessoa de pouco estudo, mas sem nenhuma humildade, de total autoritarismo e severo até no tom da voz. Nunca soube abraçar um filho e ouvir. Certamente ele não sabe o significado do amor, consequentemente não sabe o que é família.

Ok, esta adolescência chegou e a pressão aumentou, a ditadura de meu pai e a submissão da minha mãe virou um caos. Eles passavam horas conspirando sobre porque eu era uma pessoa “diferente”, com gostos diferentes, que eu poderia ser doente. O que eles fizeram?

Um mundo de proibições chegou também. Existia apenas a proibição e a fuga da responsabilidade em conversar, dialogar, educar e ver se existia um propósito ou lógica daquelas proibições. Fizeram um eletroencefalograma em mim para ver. Não deu em nada.

Minha irmã adotiva fugiu de casa na adolescência por ser muito discriminada e não considerada filha. Eu também tinha essa vontade. Um dia ela voltou, depois de adulta e mãe. Perdoou-os mas eles não mudaram a forma de relacionar-se com ela.

Resumindo a história:

Esta amiga cresceu com seus tios que educaram-na na compreensão, no diálogo, no acolhimento, sabedoria e sentimentos verdadeiros. Quando terminou o ensino médio, casou-se prematuramente por pressão dos pais. Muitos sonhos foram deixados de lado.

Ok, o casamento fracassou, o que era quase previsível casar-se só por estar grávida.

Beleza. E daí? Daí que ela como sempre se sentiu um peixe fora d’agua daquela família e do mundo em que eles viviam de machismo, preconceitos, incompreensão e alienação. Só que eles agora queriam retomar o controle da vida da minha amiga, mesmo tendo 26 anos e separada.

Ela decidiu então ir embora daquela cidade, coisa que sempre desejou mas não teve oportunidade. Viver com prazer e sabedoria, libertação, paz e compaixão. Seguir seu rumo. Mesmo assim ainda tinha necessidade de aprovação e expectativas dos seus pais.

Dois anos depois recebeu a trágica notícia de que seu irmão caçula havia cometido suicídio aos 21 anos. Ele tinha um perfil muito parecido com o dela, a frente de seu mundo e a incompreensão foi tão grande que ele não encontrou lugar neste mundo, sentiu só e sem forças.

O que já era ruim tornou-se uma aberração. Palavra forte? Não para o tamanho da catástrofe que isso foi na vida da mãe dela. Ela passou a levar uma vida depressiva, com raiva, amargura e autodestruição. O coração que tinha mais olhos para o seu marido, agora se fechou em copas. Nada mais interessava.

O outro irmão que saiu idêntico ao pai dela e era o preferido, todas as apostas foram para ele inclusive financeiramente.

Este irmão assumiu as finanças da família, mesmo curtindo a vida na base de drogas e álcool até chegar um dia e dar um golpe financeiro na minha amiga com o pai sendo conivente. Porque ela não reveindicou seus direitos? Porque o preço disso era voltar a morar com eles e também porque ela não gostava dos negócios que seu pai tinha, criação de bois…

A mãe dela? Não, ela estava preocupada demais com sua depressão, raiva e amargura para pensar na filha ou no neto e retomar o controle da sua vida. Perdeu o interesse por todos. Mesmo com todo o recurso médico.

O que minha amiga fez?

Ela tentou ajudar a mãe por anos porém sem sucesso. Acabou tendo depressão também. Sua irmã adotiva mesmo tendo sido discriminada também esteve ao lado até adoecer e não dar mais conta.

Ela apenas queria seguir com seus projetos, evoluir, ter paz de espirito, viver uma vida leve e saudável com seu filho, ter equilíbrio, ser feliz e sair da depressão embora sentisse muito a tragédia com seu irmão. Mas a vida não volta atrás. Precisava seguir em frente, não ter mais expectativas de seus pais.

Simples assim?

Sim, para ela sim mas seus pais e seu irmão não. Eles não admitiam que ela tivesse escolhido uma vida longe deles, sem culpas, pesos, fardos, apenas de prosperidade e paz. Eles passaram a invejar a felicidade das outras famílias, não suportar sorrisos ou gargalhadas, foram perdendo “amigos” (até aqueles que jogavam no mesmo time deles) e transformando suas vidas num caos. Se tornaram autodestrutivos. Pai e filho bebendo junto e muito mais.

Ok, mas e a amiga, como reagia? Ela procurava manter o equilíbrio mas isso era uma afronta para eles, eles queriam que ela viajasse sempre que quisessem até a casa deles para “cultivar o caos” entrar em pânico junto, cumprir um ritual de dor e tristeza. Diziam: “se sofremos, você também deve sofrer.” Porém ela mantinha a calma e só ia se fosse questão de urgência. Mas para eles tudo era urgente. A vida dela e seus compromissos ou a forma como ela escolheu viver era irrelevante.

Para finalizar, o que aconteceu?

Eles criaram, alimentaram uma raiva contra ela e passaram a atormentar constantemente a vida dela e do seu filho. Ela raramente aceitava as provocações porque tinha a consciência tranquila porque apesar de ter sido uma filha rejeitada, sem compreensão e carinho, ainda assim tentou fazer algo para sua mãe não se afundar na depressão. Mas até hoje minha amiga passa por esse tormento.

A mensagem é de que independente de quem quer que sejam, pessoas são do bem ou do mal, são negativas ou positivas, egoístas ou altruísta, destrutivas ou construtivas e você não muda a essência de ninguém. Você só pode ajudar quem realmente quer ser ajudado. Quem está no fundo do poço e não quer sair fuja! Você cai junto. É questão de sobrevivência e compaixão consigo mesmo. Mesmo que estas pessoas hoje digam a você que “somos uma família” mas não saibam o significado disso, e te deram todas as provas contrarias de egoísmo e egocentrismo.

Nota: essa amiga transfomou o pó em ouro, potencializou seu desenvolvimento pessoal porque existe uma determinação maior nela. Ela não busca mais a aprovação de seus pais… Hoje ela ajuda pessoas e não permite que o histórico familiar seja sua biografia ou a deixe sem confiança em si mesmo.

“Uma casa não é um lar. Laços as vezes se rompem mas permitir a autodestruição leva a morte física ou mental. Nem sempre uma família é uma família”

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